sad Dogue de Bordeaux in front. isolated on white background

Violência contra os animais: é preciso conhecer os sintomas e punir os culpados

Seja na imprensa ou nas redes sociais, um dos assuntos mais comentados nesta semana são as notícias sobre maus tratos com animais. Um triste e chocante cenário contra essas criaturas que, muitas vezes, são indefesas. Outro agravante ainda mais notável para essa situação é o fato de que os donos de animais apenas conseguem perceber a violência quando os sintomas tornam-se perceptíveis à olho nu, ou seja, quando o caso já é gravíssimo.

 

De acordo com Rodrigo Rabelo, autor do livro Emergências de pequenos animais, da editora Elsevier, “infelizmente, na medicina veterinária não há um exame para detectar maus tratos como existe para ver uma anemia, e quem sabe a falta de dados concretos ainda sirva de válvula de escape para pessoas sem a devida educação moral que ainda se sobrepõe a fragilidade de animais menores. Estranho perceber como pessoas assim não maltratam Rottweilers de 60Kg, mas sim filhotes e animais menores”, afirma.

 

No Brasil, maltratar animais de qualquer espécie é considerado crime ambiental, segundo prevê o art. 32 da Lei nº 9.605, de1998, com pena de detenção de três meses a um ano e multa. Além da violência física, são considerados maus tratos contra os animais: o abandono em via pública; mantê-lo permanentemente acorrentado; não abrigar do sol e da chuva; mantê-lo em local pequeno, não higiênico e/ou sem ventilação adequada; não alimentar diariamente; negar assistência ao ferido; obrigar o animal a trabalho excessivo, etc.

 

Rabelo comenta também que “Na nossa rotina, os casos de maus tratos ou violência com animais felizmente são muito reduzidos, mas obviamente a região geográfica e os aspectos sociais de cada área determinam uma maior ou menor ocorrência”.

 

Segundo o autor, em uma clínica veterinária, é importante observar a forma como os animais aparecem para o atendimento. “Animais que entram no pronto socorro com sinais de trauma, mesmo quando o histórico do acompanhante é de uma queda, atropelamento ou briga com outro animal, é importante que o médico veterinário busque uma coerência na história, e uma relação direta com os sinais apresentados. Lesões únicas e muito localizadas (como hematomas na região do umbigo, axila ou virilha) não são características muito comuns de um trauma por atropelamento por exemplo; animais que retornam ao longo do ano com fraturas ou luxações diversas sempre pelo mesmo motivo (queda do sofá, escada, etc) também merecem atenção especial. Sempre é importante unir os sinais físicos aos comportamentais para buscar as respostas que pesquisamos (medo, reações agressivas agudas e a não permissão de aproximação de outras pessoas somados aos sinais físicos aparentes podem ajudar no diagnóstico)”, diz.

 

Rodrigo Rabelo informa que não podemos pensar que os maus tratos físicos são nocivos. “Muito animais são expostos a drogas ilícitas (principalmente maconha) e álcool, o que configura crime também. A falta de condições mínimas de vida também podem ser expressas pela má condição da pelagem, perda de peso excessiva, feridas pelo corpo, excesso de ecto (carrapatos, pulgas, larvas de miíase) e endoparasitas (verminoses, bactérias, tênias)”, destaca o autor.

 

Portanto, ao menor sinal de maus tratos é necessário denunciar, e o 0800-61-8080 é o número da Delegacia Nacional do Ambiente onde é possível iniciar este processo. Cada região do país possui suas seccionais locais e os médicos veterinários e cidadãos devem localizar seu ponto de apoio.