Taxa de desemprego cresce no Brasil

Taxa de desemprego cresce no Brasil

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), oito milhões e seiscentas mil pessoas estavam à procura de um trabalho no ano passado. Quase dois milhões de pessoas a mais que em 2014: um aumento de 27% no número de desempregados em um ano. A taxa de desemprego fechou 2015 em 8,5%, já em 2014, a taxa de desocupação havia sido de 6,8%. Os números também são os maiores relatados pelo IBGE, desde que o instituto começou  a fazer essa pesquisa, em 2012.

Em 2016, a taxa de desemprego continua disparada. Segundo o IBGE, o Brasil atingiu 8,2% em fevereiro deste ano, maior taxa para o mês desde 2009, quando chegou a 8,5%. Já em janeiro o índice ficou em 7,6%. Especialistas ressaltam que o crescimento de 2,4 pontos percentuais da taxa de desocupação, entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016, é o maior avanço anual para o mês na série, iniciada em março de 2002.

 A crise política e econômico, a queda do consumo e as paralisações das empresas envolvidas na operação Lava Jato estão entre as razões apontadas pela recessão. Os jovens são os mais afetados, a informalidade e o desemprego de longo prazo se tornaram um desafio de política pública. Além disso, a luta contra a pobreza foi abalada e a concentração de renda aumentou.

INFORMALIDADE NO BRASIL VOLTA A CRESCER DEPOIS DE 12 ANOS

Sem emprego, a população tenta se virar como pode. Registros da Pnad mostram também o aumento de pessoas trabalhando por conta própria, seja através da informalidade (bicos, empregos temporários, etc) ou através dá abertura de seu próprio negócio. Os números de microempreendedores individuais (MEI), já cresceram 14,8% em relação a março do ano passado. Ao todo já somam 137,3 mil novos microeempreendimentos em janeiro, contra 119,5 mil do mesmo mês de 2015.

 ‘’A informalidade no mercado de trabalho é provavelmente a faceta mais conhecida e discutida por acadêmicos, formuladores de políticas públicas e sociedade em geral. Mas, de forma geral, a informalidade possui duas dimensões fundamentais: a informalidade do trabalho e a das firmas. A informalidade das firmas, por sua vez, pode ser diferenciada em duas margens bastante diferentes: margem extensiva – decisão da firma de registrar/formalizar ou não o seu negócio e margem intensiva – decisão de firmas que são formais na margem extensiva de formalizar ou não seus trabalhadores.’’ (Causas e consequências da informalidade no Brasil, Elsevier)

O problema de não estar no mercado formal, é que eles pagam menos impostos, o que também prejudica os esforços do governo de ampliar a arrecadação, reduzir o déficit fiscal e manter o grau de investimento da dívida pública. Já para o trabalhador, o que pesa na informalidade é a queda nos rendimentos, os contratantes oferecem na maioria dos casos salários inferiores a R$ 1.300 por mês, e se isentam de pagar os direitos trabalhistas como, fundo de garantia, seguros, férias e outros benefícios que funcionários que exercem o serviço formal recebem.

‘’A informalidade do trabalho é dada pela soma dos trabalhadores empregados pelas firmas informais (margem extensiva) e pelos trabalhadores contratados sem carteira por firmas formais (margem intensiva). A diferenciação dessas duas margens é fundamental para entender os determinantes do nível e da evolução da informalidade.’’ (Causas e consequências da informalidade no Brasil, Elsevier)

Imagem: Marília Camelo