discarica di rifiuti solido urbani

Segurança na Disposição de Resíduos Sólidos Urbanos

As cidades buscam, cada vez mais, alternativas sustentáveis para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, mas uma questão ainda pendente é o destino do lixo. Os aterros sanitários ainda demandam esforços de segurança, com o objetivo de minimizar os danos ambientais. Sendo necessário por exemplo, o estabelecimento de critérios de segurança semelhantes aos existentes nas grandes barragens também na construção desses aterros. Para explicar melhor o porquê da necessidade de cautela na construção de um aterro e dos perigos de uma ruptura, que pode vir a acontecer caso haja descumprimentos em alguma das etapas de segurança, convidamos o engenheiro civil e autor do livro Gerenciamento de resíduos na indústria de petróleo e gás, publicado pela Elsevier, José Araruna*, para falar um pouco mais sobre a segurança na disposição de resíduos nos meios urbanos. Confira a matéria na íntegra abaixo:

No período de construção dos aterros sanitários, o sistema de impermeabilização pode romper quando é instalado nas laterais dos taludes (terreno inclinado que limita um aterro e tem como função garantir a estabilidade deste). Neste caso, há de assegurar que o atrito, a coesão e a ancoragem de seus componentes (barreira impermeável, camada filtrante, ou camada de proteção) sejam adequados para manter o talude estável.

 Há vários tipos de modos de ruptura em aterros sanitários. A ruptura de taludes pode acontecer na massa de solo, na massa de resíduo, na interface geossintético/resíduo, ou entre o geossintético e uma combinação de resíduo e solo.

 A massa de resíduo também poderá romper quando disposta no aterro. O plano de ruptura pode ser: na interface ou no interior do sistema de impermeabilização, ou então na massa de solo posicionada imediatamente abaixo. Finalmente, o sistema de cobertura poderá se fragmentar tanto em um tipo de ruptura de talude infinito ou a danificação poderá acontecer através da interface entre o resíduo e o sistema de cobertura.

Adicionalmente, o aterro deve ser monitorado durante a sua operação e após o encerramento das atividades para assegurar o atendimento às questões legais estabelecidas no decorrer do processo de licenciamento, protegendo o meio ambiente e a saúde pública de uma possível poluição advinda de emissões fugitivas de chorume e de gases do efeito estufa.

 O monitoramento da água subterrânea é realizado com o intuito principal de avaliar o desempenho do sistema de impermeabilização e a qualidade da água subterrânea. Adicionalmente, este acompanhamento é empregado para avaliar a efetividade do projeto adotado e das hipóteses empregadas. O estudo de gases é realizado a fim de avaliar a contaminação do ar e do solo. Ele é realizado na atmosfera como também na zona vadosa (zona superficial do solo, em que os poros se encontram cheios de ar).

 Já o monitoramento geotécnico engloba o de erosão e de recalques. No monitoramento de erosão a finalidade é assegurar a integridade do sistema de cobertura para impedir que a água da chuva entre em contato com o lixo presente no aterro; e no de recalques o que se visa é a manutenção do sistema de drenagem e de cobertura

Autor deste artigo: *José Araruna é professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde atua nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará, possui mestrado pela PUC-Rio e doutorado pela University of Newcastle upon Tyne do Reino Unido. É o Coordenador de Graduação do Curso de Engenharia Ambiental, membro dos Comitês Gestores dos Programas de Capacitação de Recursos Humanos da ANP e da Petrobras (PRH-07), membro do Management Board do Programa EXCEED: Excellence Through Dialogue – Sustainable Water Management in Developing Countries da Technische Universität Braunschweig / DAAD, além de ministrar cursos tanto na graduação em Engenharia Ambiental quanto na pós-graduação em Engenharia Civil.