Preços Internacionais do Petróleo e os principais impactos da recente queda de preços

Preços Internacionais do Petróleo e os principais impactos da recente queda de preços

Matéria escrita por: Professor Helder Queiroz Pinto Junior

Grupo de Economia da Energia/Instituto de Economia/UFRJ

A volatilidade dos preços é um traço marcante da indústria mundial do petróleo. A virada do milênio foi marcada, após um longo período de baixos preços do petróleo entre 1986 e 1999, por uma trajetória ascendente, atingindo recordes históricos, em termos nominais, em 2008, ultrapassando a barreira dos US$ 140 por barril e retornando a patamares inferiores a US$ 30 por barril no início de 2016.

Não obstante a queda recente de preços ter sido muito expressiva e rápida, saindo de U$$ 100 para cerca de US$ 30 em dezoito meses, este episódio é apenas um a mais a ser registrado e interpretado. De fato, a história do petróleo permanece sendo escrita pelo jogo os fundamentos técnicos, geológicos, geopolíticos e econômicos que contribuem para explicar tais flutuações.

Quais os fatores que explicam este movimento? Destaca-se, de pronto, que o aspecto central desta mudança estrutural diz respeito ao aproveitamento econômico das chamadas jazidas não-convencionais. Elas foram fundamentais para o abastecimento de gás natural nos EUA, com as jazidas de shale gas, mas também para o mercado de petróleo, em particular tight oil, transformando o mercado doméstico e influenciando o mercado internacional.

Tal movimento alterou sobremaneira as estruturas de consumo e o comércio internacional de petróleo, pois o ritmo de crescimento das importações mundiais de petróleo sofre forte desaceleração.

Nestas condições, não é difícil entender que o excedente de produção contribui para explicar a forte queda dos preços iniciada no segundo semestre de 2014. Esta queda, para níveis inferiores a US$ 30, observados este ano, ocorreu após quase seis anos de preços no patamar acima de US$ 100 por barril.

Para os países produtores, incluindo o Brasil, a redução dos preços compromete a continuidade dos investimentos e afeta a arrecadação de royalties e demais participações governamentais, pois o seu cálculo é baseado nas cotações internacionais do óleo bruto, no volume produzido e no câmbio. Mesmo com a desvalorização cambial recente, que permitiria em tese uma arrecadação maior em reais, os efeitos da queda de preços se revelaram muito mais fortes. Se considerarmos apenas os royalties, é possível notar a expressiva redução se lembrarmos que, em janeiro de 2014, os valores arrecadados pelos estados, municípios e União totalizaram R$ 1, 464 bilhões desses. Já em janeiro de 2016, este valor caiu para R$ 980 milhões. Isto representa uma perda de R$ 484 milhões de reais por mês. Por ora, não há sinais de que patamares de preços mais altos venham a ser observados nos próximos meses, pois estamos num contexto de oferta excedente e diversificada, com novos produtores atuando no mercado internacional como exportadores (incluindo Brasil); e produtores tradicionais como Iraque e mais recentemente Irã, regressando ao mercado internacional; ao passo que o crescimento da demanda está relativamente estabilizado.

Imagem: Pixabay