Por que o Brasil cresce pouco?

Existem vários diagnósticos sobre o baixo crescimento da economia brasileira. Segundo o IBGE, por exemplo, o Produto Interno Bruto brasileiro cresceu apenas 0,1% no ano passado, comprovando que a economia brasileira teve um dos piores desempenhos entre os países mais industrializados do mundo em 2014, ficando atrás apenas da Itália e Japão, numa comparação com os outros 19 países do G20.

 A soma das riquezas produzidas no ano passado também não foi tão boa, chegando a R$ 5,52 trilhões, e o PIB de renda per capita (por pessoa) caiu a R$ 27.229. Sendo o pior resultado desde 2009, ano da crise internacional, quando a economia recuou 0,2%. Em 2013, de acordo com dados revisados, a economia havia crescido 2,7%, também segundo o IBGE.

O economista Marcos Mendes expõem no livro Por Que o Brasil Cresce Pouco?, lançado pela editora Elsevier, uma análise sobre a economia brasileira e o motivo que leva o Brasil a crescer tão pouco comparado a outros países. O autor utiliza todo o conhecimento teórico e sua extensa experiência no setor público para explicar o motivo do baixo crescimento econômico ser uma escolha nossa, uma decisão que se traduz na combinação de altos gastos públicos, elevada carga tributária, baixo investimento público, baixa qualidade dos serviços de educação, insegurança jurídica e baixa poupança do setor público. Trata-se de uma leitura dos fatos econômicos observados desde 1985, com suporte na literatura teórica e aplicada de diversas áreas de pesquisa, como economia política, macroeconomia e desenvolvimento econômico.

Apesar de revelar essas “verdades inconvenientes”, Mendes aponta a saída que passaria, necessariamente, pela retomada da agenda de reformas, redução dos subsídios para empresas e focalização da política distributiva. O argumento central da obra é que uma importante causa para esse nó político é a conjugação entre ambiente democrático e alta desigualdade econômica. Disponível também em formato e-book, o livro tem como missão tentar convencer o leitor da existência deste nexo casual: alta desigualdade mais democracia é igual a baixo crescimento no curto e médio prazo. Mas, que reflexos a desigualdade traz para as perspectivas de desenvolvimento do país? Esta obra pretende desenvolver esse tipo de abordagem, mostrando que a nossa desigualdade extrema, em associação com a ampla democracia instaurada em 1985, reduz o crescimento potencial de curto e médio prazo.

Mendes inova ao mostrar como vários problemas econômicos brasileiros, usualmente analisados de forma isolada, podem ter como causa comum (ainda que não necessariamente única) a desigualdade extrema em um ambiente político democrático. Olhando sob essa perspectiva, é possível montar um quebra-cabeça, no qual as peças importantes são: o atraso educacional, o excesso de despesa pública, a fragilidade das agências reguladoras, o fechamento da economia ao comércio internacional, os juros elevados, os impostos altos, o desequilíbrio da Previdência Social, a lentidão da justiça, o subsídio creditício do governo a grandes empresas, a informalidade dos empreendimentos, a insuficiência da infraestrutura e as longas greves no serviço público.

Nossa sociedade e nosso sistema político serão capazes de processar esta miríade de rendas, separar o joio do trigo, o que é meritório do que não é, e sobrar espaço orçamentário para que construamos nossa infraestrutura física e consigamos melhorar a qualidade dos serviços públicos de saúde, educação, justiça e segurança? Ou o funcionamento de nosso sistema político nos colocará em uma trajetória disfuncional de repetidas rodadas de aumento de carga tributária com redução do crescimento e deterioração ainda maior de nossa infraestrutura?

“Em suma, a sociedade brasileira encontra-se frente a duas tendências alternativas. Pode-se tomar a estrada virtuosa da redução da desigualdade e gradual crescimento do produto potencial, ou pode seguir uma trajetória indesejável de estagnação, desequilíbrio fiscal, inflação, interrupção da queda da desigualdade e crises políticas e institucionais. Ambos os caminhos estão abertos e dependem tanto da capacidade dos candidatos a estadistas que assumirão o comando político do Estado brasileiro nos próximos anos, quanto dos efeitos da economia internacional sobre o país”, alerta o autor.

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