pesquisas-apontam-crescimento-de-40-na-tecnologia-4g-no-brasil

Pesquisas apontam crescimento de 40% na Tecnologia 4G no Brasil

Segundo balanço anual da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o número de usuários da telefonia móvel que fazem uso da tecnologia 4G, já mais que dobrou em um ano. No período de dezembro de 2015 a 2016, no mesmo mês, foram mais de 34,6 milhões de novos clientes, uma alta de 136,2%. Somando assim, mais de 60,1 milhões de consumidores dessa tecnologia em todo o país. E de acordo com pesquisas realizadas este ano pela consultoria IDC – International Data Corporation, a previsão é que esse número cresça para 108 milhões em 2017, o que representará 40% de aumento da base total de conexões.

Para falar um pouco mais sobre o que esperar dessa nova tecnologia, convidamos o autor da Elsevier, Lisandro Lovisolo, que explicará o que é a tecnologia 4G e os limitadores para o seu uso. Confira a matéria abaixo:

O que é chamado e se comercializa como 4G são tecnologias que satisfazem os requisitos para serviços IMT-Advanced (International Mobile Telecommunications-Advanced) estabelecido pela ITU (International Telecommunications Union). Que para estar em conformidade com o IMT-Advanced – um sistema de comunicações móveis deve prover uma solução para comunicação móvel que seja segura e totalmente baseada em IP – e requisitos de taxas de transmissão que permitam ofertar serviços como acesso à internet, telefonia IP, jogos on-line, streaming de multimídia, etc. Os requisitos para tecnologias IMT-Advanced superam os impostos para as tecnologias IMT-200 (International Mobile Telecommunications-2000), esses requisitos são antecessores e impunham o que as tecnologias comercializadas como 3G deviam suportar. Sim, o 4 de 4G se deve a este vir temporalmente depois do 3G, seria a quarta geração (G) de telefonia móvel. Dentro os requisitos específicos do IMT-Advanced destacamos que o sistema deve ser totalmente baseado em IP (Internet Protocol), atingir taxas nominais de 100 Mbps (Mega bits por segundo) quando o terminal movimenta-se em alta velocidade e 1 Gbps (Giga bits por segundo) quando quase estático, prover conectividade ubíqua e transparante e roaming global, dentre outras e a melhoria de uso dos recursos do espectro electromagnético empregados. Dentre as tecnologias candidatas ao 4G, ou ao menos assim comercializadas, destacam-se o LTE-A (Long Term Evolution-Advanced) e o Mobile WiMax (IEEE 802.16e), aqui falaremos do primeiro.

Por que esses requisitos? O aumento da taxa de dados para o usuário permite transmitir e receber informações mais rapidamente; equivalentemente pode-se melhorar a “qualidade” ou “resoluções” espaciais e temporais de diversos conteúdos e continuar transmitindo-o num mesmo intervalo de tempo. Para conseguir isso o desafio é explorar ao máximo o canal sem fio através do qual se alcança o usuário e o usuário alcança a rede celular.

LIMITES FUNDAMENTAIS

Os recursos básicos para isso são energia e banda, a faixa do espectro eletromagnético disponível para uso nas transmissões. A energia está relacionada com a potência de transmissão da antena. A banda é o que uma operadora de telefonia celular recebe como recurso para operar, geralmente, através de um leilão (que lhe garante o direito de operar em algumas bandas específicas). Assim, a operadora tem que dispor de banda suficiente para atingir as taxas requeridas. Mas não é tudo. Ela precisa também aumentar sua capacidade de tráfego internamente e externamente, de forma a poder suprir o aumento de demanda dos usuários sem gerar gargalos internamente.

Quanto maior a potência com que o sinal transmitido é recebido, a princípio, mais bits se é capaz de receber sem erros. Por outro lado, quanto maior a banda empregada maior a taxa de transmissão atingível. Essas propriedades são unificadas no teorema da capacidade do canal de Shannon, propriedade fundamental ou um limite ao desempenho de sistemas de comunicações. Na verdade, a capacidade depende da razão sinal ruído e não só da potência do sinal recebido. Ruído é aquilo que corrompe o sinal/informação recebida. Podemos comparar a energia do sinal de interesse à do ruído que o corrompe (ou equivalentemente sua potência), quanto maior essa razão (S/N – Signal to Noise Ratio) mais fácil é diferenciar o sinal de interesse do ruído permitindo receber mais bits numa mesma largura de faixa espectral. Assim, o desafio da especificação da interface aérea de um sistema de comunicações sem fio é utilizar esses recursos satisfatoriamente. Isto é, a banda e a potência das ondas eletromagnéticas entre a antena da operadora e o terminal do usuário (e vice-versa) devem ser utilizados de forma a maximizar seus usos. Porém, isso deve ser feito com tecnologias que possam ser implementadas a custos razoáveis.

A tecnologia conhecida como 4G tem como um de seus objetivos um uso mais eficiente da interface aérea; quando comparada às tecnologias anteriores 2G e 3G, a tecnologia 4G fornece taxas de dados maiores. Além disso, ela está projetada para reduzir o tempo de resposta das transações necessárias para estabelecer o enlace, isto é, o canal de dados para o usuário ser atendido. As diferentes tecnologias de sistemas de comunicações móveis celulares têm como objetivo final prover acesso a dados e comunicações de voz aos usuários sem fio, isto é através de uma interface aérea. Porém, para isso os sistemas de comunicações móveis celulares devem considerar também diferentes aspectos da rede e dos equipamentos da rede de telefonia móvel subjacente.