Pesquisa aponta que poluição do ar mata 6,5 milhões de pessoas por ano

Pesquisa aponta que poluição do ar mata 6,5 milhões de pessoas por ano

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE),  as mortes prematuras anuais causadas pela poluição atmosférica continuarão a aumentar das 3 milhões atuais para 4,5 milhões em 2040. Atualmente, cerca de 6,5 milhões de mortes em todo o mundo são atribuídas à má qualidade do ar em espaços abertos e fechados, o que torna a poluição atmosférica a quarta maior ameaça à saúde humana, atrás da pressão alta, dos riscos decorrentes de hábitos alimentares e do fumo.

Se nada for feito para mudar a maneira atual de como produzimos e consumimos energia, sobreviver na terra será cada vez mais difícil. Segundo a AIE, a liberação de poluentes no ar se deve sobretudo à produção e ao uso irregular ou ineficiente de energia. Poluentes danosos como os materiais particulados – que podem conter ácidos, metais, partículas de solo e de poeira – óxidos sulfúricos e óxidos de nitrogênio são responsáveis pelos efeitos mais disseminados da poluição atmosférica.

Esses minúsculos materiais particulados podem causar sérios riscos à saúde, como: câncer de pulmão, derrames e doenças cardíacas no longo prazo, além de desencadear sintomas, como ataques cardíacos, que matam mais rápido.    

¹POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA

Até pouco tempo era considerada apenas um problema local, pois a preocupação inicial era somente com as indústrias próximas da população. Hoje em dia, existem outros, em especial os automóveis, principalmente nos grandes centros urbanos. Demorou várias décadas para o homem perceber que a poluição atmosférica não se resume apenas a um pequeno espaço confinado. Ela ultrapassa cidades, Estados e continentes, levando a poluição para lugares longínquos das suas fontes emissoras. Estudos recentes relatam que alguns poluentes formados em locais confinados podem se propagar através dos continentes, principalmente os poluentes pouco reativos e os materiais particulados que dependem, principalmente, da estabilidade atmosférica, da topografia e das condições meteorológicas da região.

Até os dias atuais, um ambiente saudável, com o ar sem contaminantes, é um privilégio de pouca parte da sociedade. Em muitas regiões do mundo, fatores como o alto índice de atividade industrial, a ausência de biodiversidade e uma alta frota veicular contribuem para a poluição atmosférica, problema que afeta a saúde de milhões de pessoas. Vários países desenvolvidos e em desenvolvimento vêm sofrendo com o aumento da poluição atmosférica no planeta. Normalmente, as áreas de alto risco de exposição ambiental são as que possuem os menores índices de infraestrutura e estão nas proximidades das fontes potenciais de emissões de poluentes. Dessa forma, é fundamental haver uma gestão integrada entre os envolvidos no processo. As ferramentas de gestão da qualidade do ar, hoje, não podem estar restritas a estimar o impacto das fontes de emissões e a implantação de estratégias de controle.

A qualidade do ar deve ser tratada como uma questão multidisciplinar e interagir entre vários setores. Tal conjugação exige uma relação que não é de subordinação, mas sim de cooperação entre as diferentes instituições requeridas no processo de ação. O ambiente atmosférico, pela sua dimensão e, principalmente, pelas inúmeras interferências a que está sujeito, é um dos componentes ambientais mais complexos de gerir e vários setores poderão ser inseridos no processo de gestão compartilhada, dentre os quais os setores ambientais, a saúde, os transportes, a produção industrial, o planejamento, a energia e as universidades.


¹Treco retirado do livro Controle e monitoramento de poluentes atmosféricos, Elsevier