ONDAS GRAVITACIONAIS E NOVAS DESCOBERTAS

Ondas gravitacionais e novas descobertas [parte 1]

Artigo escrito por: Gerardo Portela da Ponte Junior é doutor em Gerenciamento de Riscos e Segurança, mestre em Gestão Tecnológica e autor dos livros Gerenciamento de Riscos Baseado em Fatores Humanos e Cultura de Seg – 1ª Ed.  e Gerenciamento de Riscos para a Indústria de Petróleo e Gás – 1ª Ed.

Para explicar melhor sobre as descobertas científicas acerca do universo, separamos o artigo feito pelo especialista Gerardo Portela em dois. Nesta primeira etapa, você irá conferir sobre a descoberta das ondas gravitacionais que a LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) realizou, e como os grandes centros de pesquisas conseguem manter os investimentos em estudos. Confira:

 

Recentemente os cientistas do centro de pesquisas americano LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) anunciaram com grande entusiasmo que seus experimentos permitiram a detecção de ondas gravitacionais. A existência de tais ondas havia sido prevista pela Teoria da Relatividade de Albert Einstein, mas até então isso jamais havia sido comprovado através de uma evidência objetiva.

A repercussão do anúncio e a possível premiação dos cientistas que chegaram a este tipo de descoberta demonstra a importância científica do trabalho dos pesquisadores mas ainda há muitos questionamentos a serem levantados quanto a real influência deste tipo de descoberta para o dia a dia das pessoas. Nem tudo que a ciência descobre pode ser aplicado na prática em benefício da humanidade. Quando isso acontece, temos o conhecimento científico produtivo, temos o que podemos chamar de verdadeira tecnologia (ciência aplicada). Centros de pesquisa como o LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) que fez o anúncio no dia 11 de fevereiro de 2016, e a CERN (sigla em francês para a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear) que anunciou a detecção a nível subatômico do Bóson de Higgs em meados de 2012, demandam verbas gigantescas e sustentam departamentos de pesquisas externos, mobilizam empresas inteiras e até influenciam a economia de cidades que dependem destes Centros de excelência.

Centros de altíssimo nível precisam justificar a construção de equipamentos de pesquisa sofisticados e caros e os custos de manter um exército de pesquisadores em um empreendimento que assume riscos técnicos e econômicos que dificilmente seriam enfrentados apenas pela iniciativa privada. Os complexos laboratórios que formam Centros de Pesquisa como o LIGO e CERN exigem anos para serem projetados e construídos e depois de prontos décadas podem se passar sem que os resultados “bombásticos” realmente possam ser anunciados. Enquanto isso, pesquisas menores em torno do objetivo principal podem ser bem sucedidas ajudando as empresas e a própria sociedade a desenvolverem os produtos mais desejados em um cenário muito mais realista do ponto de vista econômico. Computadores, automóveis, smartphones, medicamentos e inúmeros outros produtos dependem de resultados obtidos em laboratórios capazes de oferecer soluções técnicas e inovadoras para um mundo cada vez mais dependente da alta tecnologia. Como estes Centros são imensos, complexos e mobilizam milhares de pessoas e empresas, há cidades e Estados interessados nos benefícios econômicos e nos empregos gerados o que torna inevitável o Lobby para mantê-los sempre ativos.

Tanto o LIGO, que fez o anúncio recente, como o CERN, que anunciou o Bóson de Higgs em 2012 (denominada por seus pesquisadores como a partícula de “deus”), estavam há décadas trabalhando sem chegar a resultados “bombásticos” e sob constante ameaça de corte de verbas e até de extinção. Justamente em momentos delicados eles anunciam descobertas que na realidade são confirmações de algo que já se suspeitava há 1 século, no caso das Ondas Gravitacionais, e há mais de 80 anos no caso do Bóson de Higgs. Apesar do inquestionável valor científico do trabalho destes Centros de excelência, eles não conseguiram trazer para o mundo “prático” nada de novo. Encontraram sim possíveis evidências para confirmar uma TEORIA que já era bem conhecida anteriormente. Mas não conseguem por exemplo, demonstrar tecnologicamente como as viagens espaciais poderão deixar de precisar de tanto combustível e tempo por causa especificamente desta confirmação, ou como a gravidade poderia ser controlada mudando a forma de transporte e a vida no planeta Terra. O anúncio recente é um degrau que não poderia ser pulado em uma longa escada de descobertas que precisa ser vencida. Mas este anúncio é feito para o mundo como se o importante degrau fosse na realidade um piso completo, o que está longe de ser uma verdade, pelo menos do ponto de vista da engenharia e tecnologia.

Ao contrário, os prêmios e os anúncios de grandes descobertas deveriam priorizar os resultados mais amadurecidos como os avanços com o novo reator de FUSÃO NUCLEAR Wendelstein 7-X, desenvolvido na Alemanha. Usando as mesmas teorias de Einstein, eles estão conseguindo criar um gerador de energia que pode revolucionar a matriz energética mundial, promovendo o fim da era do Petróleo e de fato podendo trazer resultado efetivo para a vida do cidadão comum a médio prazo. Veja o link: http://hypescience.com/?s=REATOR+DE+FUSAO+NUCLEAR

Bóson de Higgs e Ondas Gravitacionais são anúncios científicos baseados na coleta de sinais do espaço ou no interior de um imenso acelerador de partículas subatômicas. Até alcançarem uma evidência de resultado, foram décadas de trabalho de análise de sinais captados que não conseguiram ser organizados dentro de uma lógica que pudesse comprovar os fenômenos postulados. Muitas vezes, após longos períodos de pesquisas e resultados de pouca representatividade, e ainda sob a pressão da escassez de recursos econômicos, gestores podem induzir os pesquisadores a começarem a “forçar um resultado“, usando estatística e modelagem matemática, até que possam anunciar que os sinais/ondas de rádio vindos do espaço ou do acelerador de partículas possuam uma determinada lógica reveladora. É tão importante o apoio econômico e popular para a sobrevivência destes Centros, que termos como “partícula de deus” e frases de efeito não tardam a serem divulgadas para o mundo, como por exemplo: “agora podemos ouvir o espaço” (as ondas sonoras, como ouvidas pelo homem é um fenômeno exclusivo da atmosfera terrestre, e isto é ciência básica). Com a opinião pública sensibilizada por declarações empolgadas demais para cientistas, mais verbas poderão ser liberadas para conservar empregos, empresas, cidades, etc… uma problema de repercussão social que pode ter como alternativa de solução uma descoberta científica “bombástica” que justifique os bilhões de dólares e euros. Mas apesar de tudo isso é inegável o reconhecimento e o valor do trabalho destes importantes Centros de Pesquisas de alto nível. A economia é apressada e pragmática. Mas a escadaria do conhecimento é muito longa, e estamos apenas no começo.