ONDAS GRAVITACIONAIS E NOVAS DESCOBERTAS [Parte 2]

Ondas gravitacionais e novas descobertas [Parte 2]

Gerardo Portela nesta segunda parte do artigo ‘’ONDAS GRAVITACIONAIS E NOVAS DESCOBERTAS’’, explica de forma simples sobre como seria o funcionamento das Ondas Gravitacionais no universo. Confira:

O FENÔMENO EXPLICADO PARA LEIGOS

Imagine que o espaço seja como um grande colchão de uma cama de casal coberto por um lençol. E sobre este lençol garrafas PET de refrigerantes estejam cuidadosamente posicionadas. O peso das garrafas irá criar rugas, alterações no lençol mas serão muito pequenas, quase imperceptíveis. Mas se você juntar todas as garrafas em um grande engradado e jogar esse engradado bem no meio do colchão, será muito mais fácil perceber o efeito do engradado afundando o colchão e desarrumando o lençol ao seu redor. Essas rugas e alterações do lençol poderiam ser comparadas às ondas gravitacionais que foram detectadas no laboratório LIGO. Para os pesquisadores o engradado de garrafas PET seriam 2 buracos negros, o afundamento do colchão no seu entorno seria a deformação do espaço e as rugas geradas no lençol seriam as ondas gravitacionais.

As ondas gravitacionais e outros sinais provenientes do espaço podem facilmente ser confundidas com sinais gerados pelas atividades do homem na terra. Há muitas fontes de ondas na Terra que podem gerar sinais e serem confundidas pelos pesquisadores. Para reduzir a chance dos sinais vindos do cosmos serem confundidos com sinais emitidos na Terra ou de outras posições do espaço, o LIGO criou 2 laboratórios separados por mais de 3000 de quilômetros, um em Livingston, Louisiana e outro na Reserva Nuclear Hanford, localizada perto de Richland, Washington, ambos nos USA. Dessa forma eles podem considerar parâmetros como a velocidade da onda e calcular por triangulação a provável origem do sinal.

De acordo com os cientistas que participaram da pesquisa, a detecção foi realizada em setembro de 2015, mas ocultada até fevereiro de 2016 quando 3 revisores aprovaram o artigo científico que explica o experimento de detecção. Uma das razões para todo esse cuidado é justamente o risco de falhas como a que ocorreu no Laboratório do Radiotelescópio BICEP2 (Estação Polo Sul Amundsen-Scott), que supostamente havia conseguido fazer a detecção de ondas gravitacionais em 2014 mas que depois acabou reconhece que o anúncio se tratava de um sinal falso. Para aqueles que tenham interesse em entender em maior profundidade a pesquisa segue o link com os principais resultados que conseguiram levar a pesquisa até o anúncio de detecção: http://aip-info.org/1XPS-41394-32I6YCLE73/cr.aspx

*Artigo escrito por: Gerardo Portela da Ponte Junior é doutor em Gerenciamento de Riscos e Segurança, mestre em Gestão Tecnológica e autor dos livros Gerenciamento de Riscos Baseado em Fatores Humanos e Cultura de Seg – 1ª Ed.  e Gerenciamento de Riscos para a Indústria de Petróleo e Gás – 1ª Ed.