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O que esperar de 2017?

Por: Renato Baumann¹

Há esperança de que 2017 apresente resultados melhores do que 2016. A expectativa mais frequente é de um crescimento do PIB de pelo menos 0,5%. Baixíssimo, mas ao menos positivo. Que elementos poderiam influenciar o resultado?

Do lado externo, há alguma esperança na recuperação dos preços de produtos primários, o discurso de campanha sugere que o novo presidente dos EUA deva impor ritmo mais dinâmico àquela economia, a economia chinesa deve continuar a crescer, embora a taxas mais modestas, os mega-acordos que aterrorizavam vários analistas não parecem mais tão prováveis, o Brasil está mais propenso a negociar acordos preferenciais e o influxo de investimento direto deve permanecer em níveis elevados (da ordem de US$ 70 bilhões), com expressivo reinvestimento. São pontos positivos.

No âmbito interno, a situação é menos clara, pelo desequilíbrio na área fiscal. O aumento de receitas para alterar essa situação é pouco provável: o consumo das famílias caiu mais de 8% em dois anos, com elevado desemprego (próximo aos 12%), elevação de preços (a inflação deve fechar o ano por volta dos 6,5%) e alto grau de endividamento (que afeta 60% das famílias). O desafio é, portanto, como adequar os gastos, num ambiente recessivo, ou como promover a reativação da atividade, tal que permita maior arrecadação.

As projeções indicam um crescimento do agronegócio da ordem de 2% em 2017, com impacto expressivo sobre o crescimento do PIB. E em 2017 haverá o anúncio de diversos editais para obras de infraestrutura. Isso deverá alavancar investimentos, com efeitos positivos sobre a produção de diversos setores. No entanto as perspectivas para a indústria e o comércio permanecem baixas.

Os desafios não são pequenos, e compreendem ademais um conjunto de reformas necessárias. Mas as oportunidades tampouco são reduzidas. Espera-se que o resultado líquido faça de 2017 o início de um processo de recuperação.

¹ Autor do livro Economia Internacional 2ED, publicado pela Elsevier. Professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília