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Petróleo e a sua importância na indústria

Esta semana é perfeita para debatermos e refletirmos sobre o futuro do mais famoso commodity da nossa sociedade. Isso porque dia 29 de setembro é o chamado Dia Mundial do Petróleo. A data foi estabelecida para ressaltar a importância e centralidade desse recurso natural para a sociedade global, além servir para nos fazer repensar e refletir acerca de suas formas de exploração e uso. Dessa forma, convidamos o professor Helder Queiroz Pinto Junior, autor do livro Economia da energia, da Editora Elsevier, para falar um pouco mais sobre a importância internacional e o potencial brasileiro em relação à industria do petróleo. Confira o artigo abaixo:

A indústria mundial do petróleo reúne características bastante peculiares, tanto do ponto de vista econômico, quanto da relevância dos fatores geopolíticos. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o petróleo é a principal fonte de energia primária da matriz energética mundial.

O petróleo é uma das principais commodities negociadas no comércio internacional. Mas está longe de ser uma commodity qualquer, pois além de ser um recurso mineral não renovável, as condições de oferta, de demanda e a formação dos preços são frequentemente alteradas.

Na última década, os preços alcançaram níveis superiores a US$140 por barril, em 2008, e a partir do fim de 2014, registraram quedas acentuadas fixando um novo patamar abaixo de US$ 50.

O Brasil tem se revelado um protagonista da indústria internacional do petróleo pela excelência da exploração e produção em águas ultra-profundas, o que exigiu o desenvolvimento tecnológico apropriado para superar os desafios colocados pela atividade de exploração offshore.

As recentes descobertas do Pré-Sal e o nível de produção superior a 800 mil barris/dia, alcançado em um período curto de tempo, constituem um fator indutor do desenvolvimento setorial de grande magnitude.

O caráter inovador da descoberta numa área que é considerada de fronteira petrolífera exigirá volumes expressivos de investimentos e um imenso esforço produtivo e tecnológico, visando maximizar o petróleo e o gás natural a serem produzidos.  Tais desafios necessitam ser acompanhados por esforços no plano institucional e regulatório, bem como a definição de políticas corretas que permitam criar as condições necessárias à atração de investimentos para o desenvolvimento da fronteira de exploração e de produção do Pré-sal.

Não obstante a incerteza referente ao comportamento futuro dos preços do petróleo, cabe notar que as exportações esperadas e a arrecadação de royalties e demais participações governamentais poderão se constituir em um fator propulsor de desenvolvimento econômico e social.

*Helder Queiroz Pinto Junior é economista pela UFRJ, mestre em Planejamento Energético pela COPPE e doutor pelo Institut de Politique et Economie de l”Energie da Universidade de Grenoble na França. É professor do Instituto de Economia da UFRJ (IE/UFRJ) desde 1997, onde leciona disciplinas como Microeconomia, Economia Industrial, Economia da Energia e Regulação de Monopólios e Mercados. Ministra ainda cursos no MBA em Economia e Gestão de Energia do IE/UFRJ e COPPEAD/UFRJ. Participa regularmente do curso de Regulação de Energia da Universidade de Sherbrooke-Montreal e foi professor visitante das Universidades de Oxford e Paris XI, onde desenvolveu pesquisas sobre energia.