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Novos rumos para o futebol brasileiro

Especialista da Elsevier fala sobre novos rumos que futebol brasileiro deve tomar

Recentemente, a imprensa noticiou o encontro realizado pela presidente Dilma Rouseff com quatro ministros e atletas do Bom Senso Futebol Clube. A presidente abriu a reunião perguntando porque o Brasil é a sétima economia mundial e não consegue mais se destacar no futebol. Após o fraco desempenho na Copa do Mundo, a seleção caiu para a sétima posição no ranking da Fifa. Uma outra pauta abordada foi o projeto de Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, que pretende punir com contrapartidas pesadas, as agremiações que não pagarem seus impostos e salários em dia. Tal lei tem previsão para ser votada na Câmara dos Deputados ainda no mês de agosto.

Segundo Michel Fauze Mattar, especialista em esportes e também autor do livro Na Trave, da editora Elsevier, é importante compreender a razão de se ter chegado a essa situação. Para ele, os anos de administrações pouco responsáveis, em um contexto onde não eram exigidas transparência destas instituições, resultaram em um nível elevadíssimo de endividamento dos clubes, sendo o poder público, o principal credor. Na prática, tais dívidas, se exigidas em curto prazo, poderiam resultar em falência múltipla e coletiva dos clubes de futebol brasileiros.

“Sendo os clubes populares demais para se deixar quebrar, não restou alternativa ao governo, senão negociar o pagamento destas dívidas; é neste ponto que surge a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte.”

Mattar acredita que o que está em discussão neste momento, não é mais a pertinência deste financiamento e muito menos como os clubes chegam a esta situação, mas sim as contrapartidas que serão exigidas em troca desta “gentileza”.

“Nesta discussão, os clubes brigam por menos contrapartidas, e desejam celeridade no andamento do processo, de forma a obterem o quanto antes um alívio nas finanças. Governo e atletas, por outro lado, brigam por uma discussão mais aprofundada das contrapartidas, e entendem que, neste caso, a pressa será inimiga da perfeição.

Trata-se de um momento igualmente delicado e importante, pois serão estas contrapartidas, dentre as quais eventuais punições esportivas aos clubes mal administrados e sanções individuais aos maus gestores, que têm, em parte, o poder de impactar positivamente a postura e conduta dos atuais e futuros dirigentes, e produzir alguma transformação na gestão do futebol brasileiro. ”, informa o especialista.

Em entrevista, o ex- jogador Leonardo falou sobre o tema, e diz acreditar que podemos ser a NBA do futebol, desde que haja uma transformação no esporte, a começar pela natureza jurídica dos clubes: ‘’Bom Senso, Romário, clubes, CBF, todos precisam se unir e caminhar juntos para uma grande reformulação. A gente tem que mudar a visão do todo. O Brasil é a sétima economia mundial, o futebol é a nossa grande paixão, mas, apesar de todo esse potencial, o mundo corporativo, e o próprio futebol, ainda vê o esporte como organização social, sem fins lucrativos. Isso limita demais a entrada de qualquer investimento. A visão tem que ser comercial, com fins lucrativos. O sistema do futebol tem que ser outro.’’, diz.