Alergia ocular

Na semana do oftalmologista, Elsevier Notícias conversa com especialista sobre alergias oculares

O outono é uma das mais belas estações do ano, porém, é uma fase extremante difícil para as pessoas alérgicas devido às mudanças de temperatura. Pior ainda é o inverno, caracterizado por muitos ventos, chuva fina e umidade. Além das rinites, uma outra forma bastante incomoda de alergia é a ocular.  A Elseveir Notícias conversou com o Dr Gabriel Andrade, responsável pela  Revisão científica livro Oftalmologia Clínica – uma abordagem sistemática . Nessa entrevista Andrade nos fala um pouco sobre o que são as alergias oculares, como tratar e se preparar bem para essas épocas críticas.

EN: O que são alergias oculares?  

Dr Gabriel Andrade : As doenças alérgicas oculares afetam cerca de 20% da população mundial. Se distribuem em diferentes manifestações: Conjuntivite alérgica sazonal, conjuntivite alérgica perene, ceratoconjuntivite primaveril, ceratoconjuntivite atópica e conjuntivite papilar gigante. A conjuntivite alérgica sazonal é responsável por cerca de 80% dos casos.

EN: O uso de óculos de sol diminui os riscos de adquirir alergias oculares? Quais problemas os raios ultravioletas podem causar à visão?

Dr Gabriel Andrade: Mais do que acessórios que ajudam a compor o visual, os óculos escuros são grandes aliados para a saúde dos olhos. Além de causar lesões na pele, os raios ultravioleta podem favorecer problemas de visão como a degeneração macular relacionada à idade, catarata, pterígeo, olho seco e alergias oculares.

EN: Por que as alergias oculares são mais evidentes no inverno?  

Dr Gabriel Andrade: No inverno, principalmente nas regiões com estações bem marcadas, com o frio e umidade, as pessoas tendem a permanecer em ambientes fechados, e deste modo mais expostas aos alérgenos comuns, como os ácaros da poeira doméstica, pêlos de animais entre outros. Pessoas alérgicas, consideradas atópicas, apresentam, nesta estação maior frequência de manifestações alérgicas de um modo geral, incluindo as oculares. Porém são consideradas reações alérgicas sazonais aquelas relacionadas a pólens e fungos do ar, que ocorrem em geral na primavera e verão, a chamada conjuntivite vernal ou primaveril.

No verão, devido à maior aglomeração entre pessoas e diminuição da imunidade são mais comuns os quadros de conjuntivite infecciosa, sobretudo a de origem viral. A ceratoconjuntivite primaveril manifesta-se por crises na primavera e verão com exacerbação em regiões de clima quente e seco. Isso ocorre devido à maior dispersão de pólens e fungos do ar neste período.

EN: O distúrbio do Olho seco pode piorar ou até mesmo acarretar alergias ou inflamações oculares. Essa condição pode se tornar mais agravada em dias mais quentes?

Dr Gabriel Andrade: A alergia ocular é uma condição que pode cursar com olho seco por dois mecanismos:

  1. Devido ao desenvolvimento de um processo inflamatório crônico que acarreta uma alteração da superfície ocular.
  2. Uso das medicações antialérgicas (anti-histamínicos) que têm influência no reflexo secretomotor da glândula lacrimal.

Em dias mais quentes e secos há maior evaporação lacrimal com piora do quadro de olho seco.

EN: Quais são os cuidados e tratamentos aconselháveis para alergias oculares?

Dr Gabriel Andrade: O tratamento primário da alergia ocular consiste em aconselhar os pacientes a evitar coçar os olhos e eliminar alérgenos com intervenções no ambiente (retirar carpetes, tapetes, cortinas, biichos de pelúcia, usar protetor de colchão, travesseiro anti-alérgico, evitar animais, cigarro, odores fortes, poluição e alimento alérgenos). Utilizar lágrimas árrtificiais e/ou compressas frias com água potável ou soroo fisiológico para alívio sintomático.

O tratamento secundário das formas agudas e crônicas inclui o uso tópico de anti-histamínicos do receptor H1 para alívio do prurido associado a estabilizadores da membrana de mastócitos.

O tratamento terciário da alergia ocular deve ser considerado apenas nas formas refratárias às terapias primária e secundária. Nestes casos podem ser adicionados corticoesteróides tópicos ou imunomoduladores como a ciclosporina, tacrolimus e micofenolato de mofetil.

Na semana do oftalmologista, preparamos duas matérias relacionadas a esses profissionais que se dedicam constantemente a melhorar a saúde de nossos olhos. A próxima matéria será postada no dia 07/05, dia do oftalmologista, na Elsevier Saúde http://www.elseviersaude.com.br/.