Mudança na mobilidade urbana nos Jogos Olímpicos 2016: verdade ou fantasia?

Mudança na mobilidade urbana nos Jogos Olímpicos 2016: verdade ou fantasia?

A 194 dias do início das competições, o Brasil se encontra em um quadro econômico bem diferente do vivenciado em 2009, quando o Rio de Janeiro ganhou o direito de sediar os Jogos Olímpicos de  2016, e comemorava-se um crescimento de mais de 5% do PIB no ano anterior. Hoje, em uma profunda crise, o país é o primeiro, nas últimas três décadas, a receber as Olimpíadas em situação de recessão econômica. A dúvida entre especialistas e da população é se propostas de mudanças em temas importantes, como o de mobilidade urbana, serão efetivamente benéficas em longo prazo.

Apesar da atual crise econômica e política – e do déficit no sistema de saúde enfrentado pela cidade -, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, vê com bons olhos os investimentos realizados para as Olimpíadas. Paes ressalta que, o somatório de todos os gastos realizados pela prefeitura em saúde e educação, de 2009 até 2016, são de R$ 65 bilhões. Sendo apenas um por cento desse valor investido em estádios, em relação ao dinheiro gasto com saúde e educação nestes oito anos.

O total de dinheiro movimentado nas Olimpíadas é de R$ 37,6 bilhões, sendo 57% recursos  de Parceria Público Privada (PPP) e 43% dinheiro do governo. Os investimentos realizados deixarão como legado na mobilidade urbana do Rio de Janeiro, alternativas de locomoção para a população, como o: VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), o BRT Transolímpica, BRT Transoeste, Duplicação do Elevado do Joá, Viário da Barra.

​legado de Mobilidade Urbana. Imagem: Estadão

​legado de Mobilidade Urbana. Imagem: Estadão

Armando Castelar Pinheiro e Cláudio Frischtak, organizadores do livro Mobilidade Urbana, publicado pela editora Elsevier, ressaltam, no entanto, que o problema da mobilidade urbana no Brasil é fruto do processo de urbanização e metropolização pelo qual o país passou a partir da segunda metade do século XX, e para que os benefícios deixados pelos Jogos Olímpicos sejam realmente verdadeiros para toda a população – além de investimento contínuo para melhorias em infraestrutura e nos transportes – os valores das passagens devem ser acessíveis. ‘’O transporte deve ser financeiramente viável para a maioria da população urbana, e em particular para aqueles que não têm outra forma de viajar para ter acesso a bens, serviços e atividades de primeira necessidade. Mobilidade restrita é um elemento considerável de exclusão social que define a pobreza urbana.’’

MUDANÇAS NO TRÂNSITO DO RIO

Para o evento haverá um plano provisório de mobilidade urbana, que visa garantir  a liberdade de locomoção da população também durante os Jogos Olímpicos. Entre 1º e 28 de agosto, período que ocorrerá a edição de 2016, a cidade do Rio de Janeiro terá 260 quilômetros de faixas prioritárias e acesso aos locais de competição realizado somente por transporte público. As pistas que darão prioridade à passagem dos atletas para os locais de prova, veículos credenciados e oficiais, de forças de segurança e emergência, estarão sinalizadas com faixas pintadas de verde. Já o acesso do público, de voluntários e de funcionários terceirizados aos locais de competição só poderá ser realizado por meio de transporte público e com a utilização do Cartão Olímpico.