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Medalhas, construções e dívidas. Qual legado será deixado após os Jogos Olímpicos do Rio?

Faltam um pouco mais de 365 dias para a finalização das Olimpíadas no Rio de Janeiro, quando olhamos o panorama atual dos megaeventos que já ocorreram no Brasil e os que ainda estão por vir, podemos refletir: o que esses eventos gigantescos trarão de proveitoso para o país? Investir quantias significativas de dinheiro para realização de tais competições não trará futuros rombos aos cofres públicos? O Rio foi escolhido em 2009 para ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Esta escolha representa, ao mesmo tempo, uma enorme oportunidade e um risco. O maior deles era o de que a preparação para os Jogos deixasse apenas uma sequela de dívidas enormes, com pesados ônus impostos para os habitantes da cidade durante muitos anos após a realização do evento. Um risco não tão dramático, mas importante, era o de 2016 passar, sem deixar maiores estragos, mas também com um legado irrelevante para a cidade, que foi o que ocorreu após a realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007 – um evento correto, coroado de êxito, mas que não beneficiou a cidade de forma consistente. Fábio Giambiagi pensando nos questionamentos de como ficará o Brasil pós-Jogos Olímpicos de 2016, organizou para refletirmos sobre o futuro da cidade do Rio após o evento, a obra Depois dos Jogos, da editora Elsevier.

O livro ressalta que o Rio de Janeiro precisará desenhar um novo ciclo em que o espaço público seja aproveitado em sua totalidade, bem como a universalização dos equipamentos, bens e serviços públicos necessários à vida urbana contemporânea. A obra faz a análise baseada em fatos reais, mas com um olhar positivo em relação ao ano de 2016. “A equidade é condição para o seu desenvolvimento e para a sua presença no contexto das grandes cidades mundiais. Esse redesenho certamente compreenderá a dimensão metropolitana da cidade, recolocará o Centro Histórico em seu papel de núcleo vital do conjunto da metrópole e buscará a redução do espraiamento urbano em benefício de uma cidade mais compacta, a qualificação da mobilidade em rede, a atenção ao ambiente e a recuperação da Guanabara. O Rio em 2016 emergirá como uma cidade mais amadurecida. A bem-aventurança é a sua origem e o seu destino.’’ (Depois dos jogos, Elsevier – 2015, p.64)

Legado dos Jogos Olímpicos em outras cidades

Quando faltavam apenas quinhentos dias para o evento, outras cidades que já sediaram os Jogos Olímpicos, como Atenas e Pequim, enfrentaram problemas que iam de entregas de estádios e aeroportos estourando os prazos, à poluição por emissão de gás carbônico descontrolada, que não conseguiu ser reduzida até o dia dos jogos. Já Londres,  que foi sede das Olimpíadas em 2012, estava com quase todas as obras prontas ou em reta final, além da revitalização da zona leste da capital britânica que antes era esquecida pelo governo. Apesar de suas particularidades, cada cidade também teve seu ponto positivo com a organização do evento ‘’Os Jogos de Atenas, em 2004, estiveram associados à entrada da Grécia na União Europeia. Pequim (2008) ampliou investimentos em mobilidade e qualificação urbana. Já a sustentabilidade foi um elemento central das Olimpíadas de Londres (2012), que inovou institucionalmente ao criar um “Conselho do legado” com a missão de gerir os equipamentos após as Olimpíadas.’’(Depois dos jogos, Elsevier – 2015, p.69)

Países mais desenvolvidos e já conhecidos como pontos turísticos tendem a investir nos megaeventos buscando melhorar a infraestrutura de seu país ‘’Olimpíadas como em Londres e, futuramente, em 2020 em Tóquio, seguindo uma tradição de países maduros com cidades de estágio pós-industrial, focam muito mais no desenvolvimento dos segmentos de lazer, esportes, consumo, serviços, entretenimento e aprimoramento do turismo. Em geral, já são destinos internacionalmente conhecidos e a lógica do investimento difere de outras cidades-sedes mais carentes.’’ (Depois dos jogos, Elsevier – 2015, p.69)

Investimentos: público x privado

Diferentemente das edições anteriores, os Jogos Olímpicos Rio 2016 se utilizaram de parcerias com o setor privado para viabilizar sua execução (aproximadamente 60% do orçamento total provém de parcerias público-privadas). ‘’Em Londres, dos R$41 bilhões gastos na Olimpíada, 80% foram assumidos pelos cofres públicos ingleses. A conta em Pequim (2008) chegou a R$65 bilhões, quase totalmente financiada com recursos públicos. A maior parte dos gastos dos Tesouros municipal, estadual e federal se concentra em investimentos de infraestrutura para a cidade. A totalidade dos gastos operacionais dos Jogos (Comitê Organizador) é financiada por patrocinadores e pelo setor privado. Apenas 4% dos investimentos públicos se destinam à construção de instalações esportivas, como o Velódromo ou a arena de natação.’’(Depois dos jogos, Elsevier – 2015, p.72 e p.73)

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