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Gestão de resíduos eletroeletrônicos

Especialista defende melhoria na gestão de resíduos eletroeletrônicos

 

Segundo o estudo de Logística Reversa de Equipamentos Eletroeletrônicos – Análise de Viabilidade Técnica e Econômica, o Brasil deve gerar aproximadamente 1,1 tonelada de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos pequenos este ano. Em 2015, o número deve aumentar para 1,247 tonelada. De acordo com Lúcia Xavier, autora do livro Gestão de Resíduos Eletroeletrônicos, publicado pela editora Elsevier, esse tipo de resíduo foge do padrão comum dos resíduos considerados recicláveis, como o plástico, o papel e o metal.

“Essa característica é atribuída, principalmente, por dois fatores: o alto valor agregado e o potencial de impacto negativo. Se por um lado os resíduos tecnológicos permitem a recuperação de plástico, vidro, metais nobres (alumínio, ouro, prata e platina, por exemplo); por outro lado, também podem causar danos significativos à saúde humana e ao meio ambiente. A bioacumulação de metais como mercúrio, chumbo, cromo e cadmio no organismo resultam na neurodegeneração, comprometimento da função de órgãos vitais e alguns desses não podem ser desintoxicados”, comenta.

Lúcia explica que, apesar de ser um tipo de resíduo desejado por empresas recicladoras e também catadores, os custos (financeiros, à saúde e ao meio ambiente) relacionados ao seu processamento, tendem a comprometer os sistemas de logística reversa se não forem gerenciados com o devido cuidado e de forma eficiente.

“Nesse sentido, após a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, várias empresas produtoras, consumidores (representados por instituições), a academia (universidades e institutos de pesquisa), associações e cooperativas de catadores, comerciantes, distribuidores e importadores iniciaram discussões para buscar compreender os possíveis cenários e, ao mesmo tempo, compatibilizar os interesses. Tal movimentação resultou, num primeiro momento, na revisão das Políticas Estaduais de Resíduos Sólidos e, posteriormente, na elaboração de duas normas técnicas específicas sobre a manufatura de refrigeradores e manufatura reversa de eletroeletrônicos. O passo seguinte foi a elaboração da proposta do acordo setorial cuja minuta foi concluída em início de  janeiro de 2014 e apresentada ao Ministério do Meio Ambiente, conforme calendário proposto”, afirma.

A especialista também falou sobre os possíveis cenários para a gestão de resíduos tecnológicos no Brasil. “Diferentes países têm avançado nesse sentido. À luz da trajetória europeia, que ainda na década de 1990 regulamentou a restrição de compostos perigosos na fabricação de produtos (como os eletroeletrônicos) e ainda regulamentou os resíduos eletroeletrônicos (Diretivas RoHS e WEEE) a partir da Comunidade Europeia, os países membros investiram de forma intensiva na educação, capacitação e viabilização de acordos com empresas de reciclagem e os estados e municípios.

Lúcia falou sobre um evento recentemente realizado na USP, em 2012, onde a pesquisadora Jéssica Magnussom do SP Technical Research Institute/Suécia, enfatizou, a respeito da gestão de eletroeletrônicos, a importância das parcerias e autonomia, no âmbito dos municípios, para a efetividade da prática da coleta seletiva com a participação dos cidadãos.

“O estudo de viabilidade econômica do MDIC é um dos documentos recentemente publicados que comprovam para a relevância da temática. Suas conclusões apontam, além da perspectiva puramente acadêmica ou conceitual, para ações fortemente imbuídas de ação colaborativa (na conscientização e descarte dos resíduos tecnológicos), tecnologia social (desenvolvimento de tecnologias de alto impacto e acessível à comunidades de baixa renda), bem como consolidação das políticas públicas e das ferramentas de gestão para a prática da logística reversa como mecanismo para a destinação de resíduos ambientalmente adequada. Talvez essas quatro áreas de ação configurem um conjunto mínimo para o sucesso da gestão de resíduos no país”, diz.

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