Falhas na segurança podem causar riscos aos usuários

Falhas na segurança digital podem causar riscos aos usuários

Diversos são os jogos e aplicativos que pedem fornecimento de dados pessoais do usuário para a sua instalação ou jogabilidade. Mas até onde esse pedido aparentemente inofensivo pode permanecer sem causar danos futuros? Casos recentes de vazamentos de informações em multinacionais, mostraram que até mesmo grandes corporações correm sérios riscos de invasões de hackers se não tiverem seus sistemas muito bem protegidos. Para nos ajudar a desvendar o misterioso mundo da criptografia e a jornada dos profissionais que atuam na área, convidamos o especialista em tecnologia Sean Michel Wykes, autor do livro Criptografia Essencial, para falar sobre o tema. Confira a matéria:

CRIPTOGRAFIA ESSENCIAL

Vivemos em um mundo repleto de tecnologias e transações digitais. Estamos nos tornando cada vez mais dependentes de aparelhos eletrônicos e serviços online, e hoje em dia, qualquer pessoa que saí de casa sem levar o seu smartphone logo se sente isolada de seu mundo. E ainda pior quando essa pessoa se vê impedida de usar o GPS, chamar um táxi, consultar o saldo bancário, fazer pesquisas no Google, enfim, de efetuar mil e uma pequenas atividades corriqueiras.

REVOLUÇÃO DIGITAL

O invento do smartphone provocou uma verdadeira revolução na forma como fazemos as coisas, pois além de aliar mobilidade e conectividade, oferece imensa flexibilidade ao permitir a instalação de uma gama enorme de aplicativos. As lojas de aplicativos democratizaram a indústria de softwares, ao possibilitarem que qualquer pessoa ou empresa, seja ela convencional ou startup, pudesse rapidamente criar e distribuir o seu aplicativo para centenas de milhões de potenciais usuários e clientes, acelerando inovação e criando novos serviços e mercados.

NOVOS DESAFIOS

Por outro lado, tão logo que essas lojas online foram abertas, começaram a aparecer os primeiros problemas de segurança digital. Como há aplicativos para quase tudo, passamos a usar o smartphone como instrumento tanto de trabalho como da vida pessoal. Eis que, o extravio de um aparelho pode levar a vazamento de dados importantes, enquanto a infecção por pragas digitais como vírus e malware pode provocar a destruição desses mesmos. O monitoramento de comunicações compromete diretamente a privacidade, e não são poucos os potenciais prejuízos causados pelo furto de senhas, como a invasão de contas bancárias e as consequentes perdas financeiras, ou mesmo o roubo da sua identidade.

TECNOLOGIA E CRIPTOGRAFIA

Na medida que partes cada vez maiores das nossas vidas passam a depender de dispositivos eletrônicos, precisamos que os programas e aplicativos de software que os controlam venham a oferecer maior segurança. E a principal ferramenta que temos para alcançar níveis de segurança suficientemente altos são as tecnologias da criptografia.

A criptografia existe há milênios, tendo sido usada pelos Egípcios, Gregos e Romanos, entre muitos outros. E sabemos que durante a segunda-guerra mundial, ela foi usada com efeitos devastadores pelos Alemães, sendo tão importante para a guerra que a quebra dos seus códigos pelos Ingleses potencialmente encurtou a guerra em dois anos e poupou milhões de vidas dos dois lados.

Antes restrita aos militares e diplomatas, a criptografia somente foi liberada para uso pelo cidadão comum há poucas décadas. Desde então, houve uma constante evolução dos algoritmos e protocolos criptográficos, e igualmente importante, houve a criação de tecnologias criptográficas específicas, como aquelas encontradas nos smartphones e cartões inteligentes.

Recentemente, a criptografia começou a se transformar em ferramenta prática de proteção para todos. O aplicativo WhatsApp, utilizado por mais de meio bilhão de pessoas, se tornou o principal exemplo disso quando anunciou a encriptação de mensagens entre pessoas de tal forma que nem a própria empresa é capaz de abri-las, e tampouco algum governo ou empresa de telecomunicações que porventura esteja tentando monitorar as comunicações.

NASCE UMA NOVA PROFISSÃO

No entanto, essas técnicas e tecnologias só oferecem verdadeira proteção quando são bem aplicadas e corretamente integradas aos aplicativos de software. Para cada WhatsApp no mundo, existem milhares de aplicativos que ainda precisam melhorar a sua segurança, mas falta informação prática e profissionais competentes.

Além dessa crescente demanda para aplicativos e serviços de computação em nuvem mais seguros, tudo indica que estamos na véspera de uma verdadeira explosão no número de dispositivos conectados, com a tão falada Internet da Coisas. E como será a segurança destes bilhões de dispositivos autônomos?

Diante disso, está nascendo uma nova profissão, o criptógrafo digital, com suas várias especialidades. Pode ser arquiteto, engenheiro, desenvolvedor ou testador de software e hardware seguro, entre muitos outros, mas obrigatoriamente é conhecedor das técnicas e tecnologias de criptografia. Esse profissional tem a missão de proteger as informações e usuários do mundo digital, e deve possuir uma característica fundamental – ser ético por natureza.