Entenda o Diabetes Melito Neonatal

Entenda o Diabetes Melito Neonatal

Hoje, 14 de novembro, no Dia Mundial do Diabetes é importante ressaltarmos a importância do tratamento e monitoramento de uma forma de diabetes, que se inicia ainda no neonatal, mas que ainda é pouco falada. ¹O diabetes melito neonatal (DMN) foi inicialmente descrito como a ocorrência de hiperglicemia grave no primeiro mês de vida, com duração de pelo menos 2 semanas, com necessidade de tratamento com insulina para controlar a glicemia. Esses critérios rígidos foram atenuados ao longo do tempo, sendo considerado o início da hiperglicemia nos primeiros 6 meses de vida, nesse período, é pouco provável a ocorrência de diabetes melito tipo 1 (DMT1) autoimune, o que implica em uma causa genética de malformação pancreática ou alterações deletérias na síntese e secreção insulina. Cada vez mais, aceita-se que, dependendo do grau de expressão e da capacidade inerente da mutação genética em alterar o padrão normal de síntese e secreção de insulina, várias das formas genéticas podem apresentar sintomas iniciais até os 9 meses ou 1 ano de idade, ao até mesmo depois.

De fato, heredogramas demonstram de maneira conclusiva que o mesmo distúrbio causa DMN permanente ou transitório pode estar presente nos pais ou outros parentes de primeiro grau, e pode ter sido diagnosticado como DMT1, diabetes monogênico do jovem (MOBY) ou diabetes melito tipo 2 (MDT2), como detalhado adiante. Assim, torna-se importante entender as bases genéticas do DMN que, embora considerado raro, com uma incidência que varia de aproximadamente 1 para 100.000 ou 1 para 400.000 nascidos vivos, nos ensinou muito sobre as vias genéticas envolvidas na formação do pâncreas exócrino e endócrino. Por exemplo, foi demonstrado que a combinação específica de três fatores de transcrição, Ngn3, Pdx1 e Mafa, envolvidos na determinação da linhagem celular durante a formação do pâncreas, pode reprogramar as células pancreáticas exócrinas de um camundongo adulto em células muito similares às células β-pancreáticas.

Trata-se de uma informação essencial para tornar possível a geração de células β e ilhotas inteiras para o tratamento DMT1. Igualmente importante foi a demonstração de que mutações ativadoras na subunidade Kir6.2 formadora de poros e na subunidade regulatória SUR1 do canal de potássio regulado por KATP,que mantém o canal aberto e limita ou impede a secreção de insulina resultando em DMN (fig. 9-1), pode ser revertida com tratamento com sulfonilureia em altas doses, que regenera a secreção de insulina endógena em resposta à alimentação. Devido à sua capacidade em restaurar a secreção endógena de insulina em adição a um efeito incretina em reposta à alimentação diferentemente da administração intravenosa de glicose, esse tratamento oral possibilita melhor controle metabólico com variações de injeções ou bombas de insulina, melhorando a qualidade de vida. Esses resultados reforçam os benefícios da busca pelo entendimento da fisiopatologia e escolha do tratamento adequado. De fato, para aqueles em que o DMN seja causado por mutações no canal KATP que respondam às sulfonilureais, esse tratamento é quase milagroso.

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Figura 9-1 Esta é uma representação esquemática da função dos canais KATF na regulação da secreção de insulina por nutrientes.

¹Informação retirada do livro: Endocrinologia Pediátrica, 4 ED