endometriose

Endometriose, cura e tratamentos

Grávida de quatro meses, a atriz Fernanda Machado está aparecendo em diversas reportagens e campanhas publicitárias falando sobre um problema que sofria, mas que conseguiu curar-se: a endometriose. Embora ainda seja um pouco desconhecida da maioria da população, essa é uma doença que atinge cerca de 15% das mulheres entre 15 e 45 anos de idade.  Como março é considerado o mês mundial da conscientização da endometriose, a Elsevier Notícias apresenta uma entrevista com o Dr. Sérgio Podgaec, presidente da Comissão Especializada em Endometriose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e professor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Podgaec é também um dos autores do livro Endometriose, da coleção Febrasgo, da Elsevier. Leia abaixo e conheça um pouco mais sobre essa doença ginecológica que consiste na presença de tecido uterino fora da cavidade uterina.

– Quais são os principais sintomas de que apresenta endometriose? Quais são os sinais dados pelo corpo da mulher?

Os principais sintomas da paciente que pode ter endometriose são: dor em cólica no período menstrual, dor durante a relação sexual, dor em baixo ventre sem relação com o período menstrual, alterações intestinais (dor ao evacuar, sangramento nas fezes) ou urinárias (dor ao urinar, sangramento ao urinar) durante o período menstrual e dificuldade para engravidar.

– Existe prevenção?

Não existe prevenção, mas a presença desses sintomas deve ser valorizada pela paciente e pelo médico para que o diagnóstico da endometriose seja feito de forma precoce. Assim, o tratamento deve ser instituído e a paciente passa a ser monitorizada, tentando-se prevenir o desenvolvimento da doença em suas formas mais graves.

– Como é o tratamento dessa doença?

O tratamento é multidisciplinar, incluindo medicações e eventualmente cirurgia, além de terapêuticas complementares quando necessário, como fisioterapia e acupuntura. Hábitos saudáveis que incluam prática de exercícios físicos, boa alimentação e diminuição do stress também são importantes, como em qualquer outra enfermidade.

O tratamento clínico, em geral, é a primeira opção para as pacientes com dor e que não apresenta desejo de engravidar no momento. Utilizamos medicamentos hormonais contendo progestagênios, que são anticoncepcionais, indicados em suas várias formas de administração, incluindo via oral, injetável, adesivos, anéis vaginais e dispositivos intra-uterinos.

As cirurgias ficam reservadas na falha do tratamento clínico ou em situações de maior gravidade.

 

– Há cura?

O tratamento hormonal pode controlar o desenvolvimento da doença e a dor das pacientes, o que pode ser suficiente em muitos casos. Com a menopausa, a mulher deixa de produzir estrogênios que são os hormônios fundamentais para sustentar a endometriose, provocando assim a regressão das lesões.

Nos casos em que o tratamento clínico não alcança tais resultados, a retirada cirúrgica das lesões também pode atingir esse objetivo. Porém, enquanto a produção hormonal permanece, há a chance das lesões retornarem, o que torna a monitorização necessária e mantém essa questão da cura sempre em dúvida até que a menopausa se instale

– Como tornar a endometriose mais conhecida da população para que as mulheres busquem tratamento na fase inicial?

A Febrasgo tem tomado diversas iniciativas nesse sentido, incluindo o lançamento de um livro dedicado exclusivamente a esse assunto, para que as informações técnicas expostas por renomados especialistas estejam acessíveis ao maior número possível de ginecologistas em nosso país. Assim, ao depararam-se com mulheres que apresentam queixa clínicas sugestivas da doença, estejam aptos a seguir com o melhor diagnóstico e tratamento dessas pacientes.

Além disso, campanhas para a população indicando que sintomas como cólica menstrual intensa e dor na relação sexual não são normais e devem ser investigados também auxiliariam na obtenção da melhora da qualidade de vida dessas mulheres.