Economia circular traz vida a produtos que seriam descartados

Economia circular traz vida a produtos que seriam descartados

A ideia de que tudo o que produzimos pode voltar a ser comercializado em vez de virar lixo, ganhou o nome de economia circular. Neste formato de economia, nada é desperdiçado, pois todos os produtos devem passar por um processo de reaproveitamento, transformação e reciclagem. A ideia desta economia não é fazer com que melhoremos as tecnologias de reciclagem, mas sim, de fabricarmos produtos com design inicial inteligente, levando em consideração o que acontecerá com ele após o uso. Imagine um televisor que é totalmente reutilizável mesmo depois de deixar de funcionar, com todas as suas peças sendo reaproveitadas em outros produtos, tendo suas partes voltando completamente para à indústria. Nós não teríamos a necessidade de poluir e explorar ainda mais os recursos da Terra.

Mesmo apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta problemas para adotar de forma ampla a economia circular. A dificuldade começa na própria Política Nacional de Resíduos Sólidos. Essa política determina que é responsabilidade das indústrias criar formas para descartar resíduos – a chamada logística reversa. Porém, a implementação dessa logística depende de que a política seja regulamentada e sejam feitos acordos setoriais entre governo e indústria. Em muitos setores, esses acordos não saíram até hoje. Para piorar, as metas da lei brasileira têm sido constantemente postergadas. A mais emblemática delas, que determina que todos os lixões a céu aberto sejam fechados no país, foi adiada para 2018.

economia circular

”O acelerado crescimento populacional, acompanhado dos avanços tecnológicos, produziu o intenso consumo do chamado capital natural acompanhado de um aumento na geração de resíduos, estabelecendo um cenário crescente de promoção da gestão de resíduos, estabelecendo um cenário crescente de promoção da gestão de resíduos que se gerenciados adequadamente levam à degradação ambiental.

Após duas décadas de um esforço que envolveu amplo debate entre setores da sociedade brasileira, o governo promulgou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305 de 02 de agosto de 2010). Esse instrumento legal resultou num importante avanço que permitiu ao Estado brasileiro dar prosseguimento a uma estratégia concreta tratamento das questões ambientais agora incluindo os resíduos sólidos em toda a sua diversidade e problemas sociais acarretados.

Considerada um dos instrumentos mais desafiadores trazidos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, a logística reversa representa um desafio para viabilizar a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, promovendo a coleta e a restituição dos resíduos sólios ao setor empresarial para o reaproveitamento em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final e sua ambientalmente adequada.

A logística reversa é responsável também por incluir o consumidor neste processo, trazendo a sociedade para atuar a partir de suas residências na promoção da qualidade ambiental e contribuindo para uma responsabilidade mais efetiva sobre os nossos recursos naturais.” (Fonte: Livro Gestão de Resíduos Eletroeletrônicos, Elsevier)

BRASIL PRODUZIU 1,4 MILHÃO DE TONELADAS DE RESÍDUOS ELETRÔNICOS

Para se ter uma ideia de quanto lixo eletrônico é produzido no Brasil, a ONU – Organização das Nações Unidas divulgou no ano passado que, em 2014, mais de 1,4 milhão de toneladas de resíduos eletrônicos foram gerados no Brasil. Segundo estudo feito pela ONU e a Associação de Empresas da Indústria Móvel, mais de 9% desses resíduos produzidos em todo o mundo concentram-se na América Latina. Sendo o Brasil o recordista neste cenário com 36,16%. Isso significa que em média, cada brasileiro produz 6,0 quilos de lixo eletrônico todos os anos.  

Esse acúmulo de produtos descartados é o reflexo do nosso modelo econômico atual, que é linear. Ou seja, retiramos matéria-prima da Terra, como os minérios. Transformamos esses materiais por meio de processos industriais, em computadores, geladeiras, celulares. Quando alguns anos depois esses produtos deixam de funcionar, nós simplesmente os descartamos em lixeiras comuns, e, logo em seguida eles chegam em aterros, ou em lixões clandestinos, que ainda funcionam no país. Poluindo águas e solo, causando grandes malefícios ao meio ambiente e a vida humana.