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Como reduzir as cesarianas no Brasil na visão de Gian Carlo DiRenzo, autor de Manual Prático de Ginecologia e Obstetrícia

Os 84% de partos cesáreos realizados por ano atualmente no Brasil estão bem acima dos 15% recomendados pela Organização Mundial de Saúde e reafirmam uma tendência mundial. Uma das primeiras medidas para reduzir a taxa é impedir as cirurgias desnecessárias para mulheres que terão o primeiro filho, ajudando a evitar que as mesmas voltem ao procedimento cirúrgico em gestações seguintes. A constatação é do especialista italiano Dr. Gian Carlo DiRenzo e foi publicada em entrevista no Jornal O Povo (CE) por ocasião da participação do médico no Congresso Birth Brazil 2015, realizado em Fortaleza.

Outra estratégia para incentivar o parto normal e os benefícios para mãe e bebê é apostar em tecnologia e inovações na sala de parto, uma vez que o conhecimento científico pode prevenir e lidar com as intercorrências sem indicar a cirurgia, de acordo com Dr. Eduardo Fonseca, que também esteve no congresso e é presidente da Comissão Nacional Especializada em Perinatologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Os especialistas Dr. DiRenzo e Dr. Fonseca são autores do livro Manual Prático de Ginecologia e Obstetrícia, cuja edição em português foi lançada pela Editora Elsevier durante o evento, para orientar os profissionais de saúde da mulher a agirem com eficiência quando agilidade e destreza forem indispensáveis. A obra foi concebida para diretores médicos, residentes, especialistas em formação, médicos do Programa de Saúde da Família, enfermeiras obstétricas e aqueles que atendem mulheres de todas as idades, em âmbito ambulatorial e foi totalmente adaptado à realidade brasileira.

Ainda com o objetivo de estimular os partos normais, também foi apresentado durante o congresso o dispositivo Odon Device, criado pelo argentino Jorge Odon e ainda em fase de teste. O dispositivo funciona como facilitador de partos normais em situações de emergência; é uma bolsa plástica introduzida no canal vaginal e inflada manualmente, aderindo à cabeça do bebê e puxada aos poucos, sem machucar ou prejudicar a respiração do feto. A OMS prevê sua comercialização a partir de 2019.

 

* Material produzido pela equipe da Canto do Trabalho