Cardiologia

Como estão os corações dos brasileiros?

Às vésperas do Congresso do Departamento de Imagem Cardiovascular (DIC 2015), autora da Elsevier mostra, no artigo abaixo, as principais doenças cardíacas que afetam os brasileiros.

No mês de fevereiro, a revista Isto É publicou uma matéria com base em dados do IBGE que indicam que no estado de Minas Gerais, 6,3% dos adultos têm diagnóstico de alguma doença do coração. O número é o mais alto do país, cuja média é de 4,2%.  Viviane Hotta, autora da editora Elsevier, comenta o assunto e explica quais são as principais doenças cardíacas que vitimam os brasileiros. Hotta é também Doutora em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), médica assistente da Unidade Clínica de Miocardiopatias do InCor – HCFMUSP e Médica assessora em Ecocardiografia no Fleury Medicina e Saúde.

“A doença cardiovascular é umas das principais causas de mortalidade mundial e também no Brasil tanto em homens como em mulheres. A ocorrência destas doenças, que incluem infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico (conhecido popularmente como “derrame”), insuficiência cardíaca e insuficiência vascular periférica está associada à presença de fatores de risco.

Dentre os fatores de risco mais importantes para as doenças cardíacas, destacam-se a hipertensão arterial (‘pressão alta’), diabetes mellitus (elevação da glicemia dosada em exames de sangue), dislipidemias (alterações na dosagem do colesterol total e frações), obesidade, tabagismo além de antecedentes familiares de risco. Quanto mais fatores de risco, maior o risco de desenvolvimento de alguma doença cardiovascular.

Nas diferentes regiões do Brasil, observa-se uma distribuição heterogênea dos fatores de risco o que explica a maior ocorrência de doenças cardíacas em determinadas áreas. Além disso, a Doença de Chagas também é considerada como doença cardíaca, o que resulta no aumento das taxas desta doença em regiões endêmicas (como o estado de Minas Gerais, regiões rurais e Nordeste do País). Outros fatores relacionados às diferenças observadas relacionam-se aos hábitos alimentares regionais, incidência de obesidade, tabagismo e prática de atividades físicas. Por exemplo, observa-se maior taxa de tabagismo no sul do país, maior taxa de obesidade no Sudeste e Sul, enquanto a hipertensão arterial é maior no Norte e Nordeste do país.

Além disso, o nível de escolaridade associado ao desenvolvimento do sistema de saúde de cada região reflete o acesso da população ao atendimento médico, e também a aderência ao tratamento médico, o que também terá impacto nas diferentes distribuições regionais das doenças cardíacas.

A despeito das diferenças regionais na distribuição das diferentes regiões do país, a prevenção e tratamento dos fatores de risco relacionados às doenças cardíacas são fundamentais. Medidas simples que incluem modificações no estilo de vida como uma dieta saudável e balanceada, cessação do tabagismo e etilismo, prática de atividades físicas regulares e redução do peso (em pacientes acima do peso) desde que supervisionadas e com orientações médicas são essenciais e consistem na melhor forma de prevenção e redução das taxas de doenças cardíacas nacionalmente.

Finalmente, deve-se levar em consideração que os dados obtidos pelo IBGE foram baseados em informações referidas pelos participantes das pesquisas e não em exames médicos, aferição da pressão arterial, dosagem das medidas de colesterol e glicemia, o que pode não refletir de maneira real a verdadeira incidência das doenças avaliadas”.