Cirurgias plásticas e a lógica da Cinderela

Em matéria recente publicada pelo The New York Times, médicos relatam que cada vez mais a procura de pessoas, sem o menor problema de formação ou genético nos pés, por procedimentos para tentar estreitá-los e poderem assim, caber perfeitamente em sapatos de grife, tem aumentado. Pedidos como a retirada do dedo mínimo não é algo incomum para os médicos, que claro, têm se negado a realizar tal procedimento.

Fazendo uma analogia ao filme da Disney de 1950, a lógica utilizada pelas pacientes que recorrem aos procedimentos cirúrgicos para manter uma aparência melhor, é a premissa de que: se o sapatinho de cristal não entra, parte do pé tem que sair.

Entre todos os setores do mercado de moda e beleza, o que tem crescido de forma mais radical é o das transformações corporais cirúrgicas. Desde os anos 90, com o auge e quase normalização dos implantes de seios, a indústria de roupas sofreu adaptações para corresponder a esse novo tipo de corpo. Ou seja, as cirurgias plásticas interferiram diretamente numa certa gama de produtos. Atualmente, porém, o processo tem sido inverso: cirurgias realizadas para adaptar o corpo aos produtos existentes no mercado. A lipoaspiração é um exemplo perfeito disso, a gordura indesejada é retirada para que o formato do corpo se adapte melhor aos padrões de beleza vigentes.

Cirurgias plásticas no Brasil

O Brasil até metade de 2015, era o país líder mundial em cirurgias plásticas, porém, devido à crise, procedimentos como aumento de mama e lipoaspiração caíram bastante – totalizando 41 mil cirurgias, dez mil a menos que as realizadas em 2014 no mesmo período. Mesmo assim, ainda somos um dos países que mais realizam procedimentos cirúrgicos estéticos, estamos em terceiro lugar no ranking mundial, segundo dados do relatório da Isaps (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética).

As mulheres ainda são maioria quando o assunto é passar pelo bisturi em prol da beleza – são responsáveis por 88% das operações estéticas feitas no país. Porém, o método não é um opção exclusiva do público feminino. Em cinco anos, o número de homens que se submetem a cirurgias plásticas, quadruplicou, segundo levantamento da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica). Entre 2009 e 2014, a quantidade de procedimentos passou de 72 mil para 276 mil ao ano. A redução das mamas (ginecomastia), a lipoaspiração e a cirurgia de pálpebra lideram o ranking de procedimentos mais realizados.

Especulam-se diversos fatores para justificar essa crescente busca pelo segmentos masculino às intervenções cirúrgicas, uma delas é a mudança cultural, com a diminuição do preconceito e também o aumento da expectativa de vida no país, o que acarreta em homens com mais idade ocupando cargos de importância no mercado, justificando à procura dos homens por uma aparência mais saudável e disposta. Além disso, no Brasil, a cirurgia plástica é vista como um procedimento popular e o país é uma referência mundial.

Entenda mais sobre cirurgias plásticas

Para entender mais aprofundadamente os procedimentos cirúrgicos, seus riscos e necessidades, a Elsevier publicou a Série Neligan de cirurgia plástica. A coleção que é dedicada a médicos e estudantes, é de fácil leitura e pode ser apreciada também, pelos mais ávidos em conhecer os métodos atuais utilizados na realização de cirurgias plásticas. Confira um trecho do livro Cirurgia Plástica – Princípios Vol. Um, da Série.

Segundo o autor ‘’Apesar de existirem algumas cirurgias que são razoavelmente padronizadas, a cirurgia plástica é a única especialidade na qual existem mais exceções do que regras. Geralmente, fazemos cirurgias que nunca foram feitas antes e é provável que, nunca mais a façamos exatamente da mesma forma de novo. Quase sempre completamos elementos da cirurgia antes, ou podemos acrescentar elementos de outras esfera da cirurgia para criar uma nova abordagem para o problema.’’ (Cirurgia Plástica – Princípios Vol. Um – Série Neligan)