avaliação e jazz

Avaliação e Jazz

Como é a avaliação dos alunos? Como mensurar o aprendizado? No artigo abaixo, Ronaldo Mota, autor da Elsevier, nos fala um pouco sobre esse tema. Mota também é reitor da Universidade Estácio de Sá e professor aposentado da Universidade Federal de Santa Maria.

Avaliar é sempre complexo e, muitas vezes, necessário. Portanto, há que se ser muito comedido quanto a definir, ou mesmo sugerir, modelos e regras de avaliação.

No entanto, quando se começa a abordar o tema, é inevitável a boa cobrança do tipo: “concordo, mas como eu faço na prática para promover uma avaliação que seja justa, eficiente, contemporânea e criativa?”. Não há, felizmente, uma resposta única e simples. Há várias e é provável que nenhuma deles se aplique sempre.

Eu optaria, preliminarmente, por uma comparação em dois atos: 1. observe uma banda de jazz e perceba que o público sabe diferenciar uma boa de uma fraca banda de jazz, com muitas nuances entre elas; 2. se todos os componentes de uma banda tocarem solo, saberemos, razoavelmente, identificar quem toca bem.

Ou seja, avaliar implica em estimular, sempre que possível, o trabalho em grupo, ressaltando o quão essencial é criar em equipe, tal qual será no exercício profissional de todos. Avaliar também demanda, em geral, individualizar, permitindo perceber no grupo o que cada um efetivamente fez ou deixou de fazer.

Nas boas “performances” de jazz, ao longo da apresentação coletiva, cada instrumentista é convocado a tocar separadamente. Neste caso, é esperado que o solo contenha todos os compassos da música, evitando os chamados “riffs”, frases curtas e repetidas de poucas notas. Mesmo assim, talentosos músicos saberão tocar “riffs” com habilidade e competência, alterando suas notas e seus tempos.

Bandas de jazz podem ser grandes ou pequenas. Trios, quartetos, quintetos…tocando piano, baixo, bateria, sax, guitarra, trombone, clarineta etc.  Alguns são exímios em um só instrumento, outros líderes naturais de bandas e alguns medianos, embora, extremamente úteis na produção final do som de qualidade, melódico, harmônico e prazeroso.

Da diversidade e da pluralidade nascem equipes fantásticas, onde, talvez, nenhum deles, individualmente, seja tão diferenciado. Às vezes, o mais discreto e não necessariamente o mais habilidoso instrumentista pode ser, por outras razões, a mola propulsora do grupo. Há, por outro lado, casos de junção de bons músicos sem que os resultados esperados tenham emergido. Há casos desastrosos onde não funciona coletivamente e nem individualmente e o som final sugere mudanças ou reprovações.

Sempre teremos situações nebulosas, tais como um ótimo aluno no individual e sofrível no coletivo. Sugestão: aprovado, ainda que talvez a vida não lhe reserve muita sorte.   Resta o caso do mediano individual, mas um líder no grupo. Que ele seja aprovado também e deixe que a vida lhe teste e saberemos depois até onde foi.

Em suma, avaliar, mais do que separar uns de outros, deve ser um instrumento de estímulo ao aprendizado, sempre tornando claras as métricas adotadas e que elas sejam criticáveis e geradoras de resultados, sob os quais os critérios de avaliação possam ser permanentemente analisados, defendidos e aprimorados.

 

* Ronaldo Mota escreveu, pela Elsevier, o livro Educando para a inovação e aprendizagem independente.