Após contrair doença grave em laboratório, químico receberá pensão vitalícia

Após contrair doença grave em laboratório, químico receberá pensão vitalícia

Trabalhar diretamente com produtos químicos pode representar um sério risco à saúde. Em abril deste ano, um processo movido por um químico que contraiu hepatite tóxica ao atuar no laboratório de uma empresa da indústria química ganhou novos rumos. Após vários estudos, o Tribunal Superior do TrabalhoTST constatou que a hepatite tóxica desenvolvida pelo funcionário estava relacionada ao trabalho de desenvolvimento de novas formulações de produtos químicos, com a utilização de substâncias concentradas. Com esse entendimento, o TST condenou uma companhia a pagar pensão mensal vitalícia a um ex-empregado.

Ao analisar o caso, o Tribunal Regional do Trabalho – TRT estipulou que a empresa indenize o funcionário com uma reparação por danos materiais, na forma de pensão mensal no valor de dois salários mínimos e manteve a indenização por danos morais de R$ 30 mil, fixada na primeira instância.

Para saber mais sobre o processo: 75500-70.2005.5.15.0126

ALGUMAS FORMAS DE CONTAMINAÇÃO AO MANUSEAR PRODUTOS QUÍMICOS

Os produtos químicos são indispensáveis para a humanidade e estão presentes em nosso dia a dia. No entanto, é preciso ter consciência de que uma parte deles pode causar danos à saúde ou ao meio ambiente. Para evitar que mais casos de contaminação ocorram é necessário entender as formas como isso acontece e o que fazer para minimizar a exposição a eles. Entenda:

¹Os principais meios de penetração das substâncias químicas no organismo são:

  • Inalação: maior grau de risco devido à rapidez com que as substâncias químicas são absorvidas pelos pulmões. A inalação é a principal via de intoxicação no ambiente de trabalho, daí a importância a ser dada aos sistemas de ventilação. É possível que a absorção de gases e vapores passe dos alvéolos pulmonares para o sangue, afim de serem distribuídos a outras regiões do organismo.
  • Absorção: contato das substâncias químicas com a pele. A absorção é extremamente crítica quando se lida com produtos lipossolúveis, absorvidos através da pele. Quando uma substância química entra em contato com a pele, existe a tendência a provocar sensibilização ou ação generalizada.
  • Ingestão: em geral, ocorre por descumprimento de normas de higiene e segurança. A ingestão representa uma via secundária de ingresso de substâncias químicas no organismo e pode ocorrer de forma acidental.

USE SEMPRE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO COLETIVA E INDIVIDUAL

Os equipamentos de proteção coletiva (EPCs) permitem a realização de operações sob condições mínimas de risco, resguardando a saúde dos envolvidos em atividades funcionais. Como exemplos de EPCs fundamentais em laboratórios, são destacados: capela de exaustão, portas de emergência, extintores de incêndio, caixa de primeiros socorros, chuveiro e estação de lava olhos. Entretanto, não basta estarem disponíveis, é imprescindível que os envolvidos saibam quando e como utilizálos.

Os equipamentos de proteção individual (EPIs) destinam-se à proteção do indivíduo que estiver realizando ou exposto a atividades específicas, para prevenir ou atenuar lesões decorrentes de acidentes. Ex.: óculos de segurança, aventais, calçados fechados, evitar roupas de tecido sintético ou outro facilmente inflamável.

¹Trecho extraído do livro Química orgânica experimental, Elsevier