A Retomada das Relações Diplomáticas EUA x Cuba

Na publicação de hoje Cristina Soreanu Pecequilo* autora das obras A União Europeia e Os Estados Unidos e o Século XXI, publicadas pela Editora Elsevier, explicará um pouco mais sobre a retomada das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba, e a influência da ação em outros países. Confira o artigo:

Em Dezembro de 2014, o Presidente Barack Obama dos Estados Unidos e o Presidente Raul Castro surpreenderam o mundo ao anunciar a retomada das relações diplomáticas entre os países, rompidas desde os anos 1960. Esta retomada foi resultado de negociações secretas que duraram dois anos com o apoio do Canadá e do Papa Francisco e colocaram frente a frente Estados Unidos e Cuba. Desde a Revolução Cubana de 1959, os dois países mantiveram um intercâmbio bilateral caracterizado por tensões e distanciamento. Para o século XXI, estas tendências se encerram e a reaproximação é um marco duplo: para as relações bilaterais e para a América Latina.

No campo das relações bilaterais, tudo caminha muito rápido: a diminuição da restrição de viagens entre os dois países, uma maior abertura entre ambos, a retirada de Cuba da lista de Estados terroristas pelos norte-americanos e para o dia 20 de Julho a reabertura das Embaixadas dos Estados Unidos em Cuba e de Cuba nos Estados Unidos. Para Washington e Havana, o último passo a ser conquistado é o fim do embargo econômico imposto à ilha. Para Havana, esta pode ser uma era de novas oportunidades econômicas e políticas, mas ao mesmo tempo de desafios para a manutenção das agendas de saúde, educação e esporte do regime socialista.

Para a América Latina, o evento é um marco, pois retira do hemisfério o último pilar que restava da Guerra Fria, e também pode representar uma nova era de oportunidades para o fortalecimento da governança democrática e do desenvolvimento econômico. Neste processo, o Brasil desempenha papel fundamental e pode aumentar sua participação nesta era de abertura cubana, com projetos de infraestrutura como a construção de rodovias em Cuba, o estabelecimento de zonas de desenvolvimento econômico e, mais importante ainda, do Porto de Mariel, porta de entrada para os mercados dos Estados Unidos, da União Europeia, da América Latina e do Pacífico, no qual se inclui a China. Para compreender este momento, e as bases da política externa dos Estados Unidos para a América Latina e o mundo, o livro Os Estados Unidos e o Século XXI de Cristina Soreanu Pecequilo traz uma exposição e análise destas agendas estratégicas.

*Cristina Soreanu Pecequilo é professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pesquisadora do CNPq. Pesquisadora Associada do Núcleo Brasileiro de Estratégia e Relações Internacionais (NERINT/UFRGS) e dos Grupos de Pesquisa Inserção Internacional Brasileira: Projeção Global e Regional da UNIFESP/UFABC e Relações Internacionais do Brasil Contemporâneo da UnB. Mestre e Doutora em Ciência Política pela FFLCH/USP