2016: A SAGA DA CREDIBILIDADE

2016: A SAGA DA CREDIBILIDADE*

O ano de 2015 foi surpreendente e provavelmente sem precedente histórico, uma vez que as notícias e os escândalos foram divulgados a cada hora. A perplexidade geral com a magnitude, a frequência e disseminação dos casos de corrupção foi uma característica que nos acompanhou durante todo o ano. Somaram-se a isso os desencontros entre os três Poderes da República.

Essa sucessão de eventos levou à percepção de que o país – tanto no cenário político como no cenário econômico – se encontra numa situação de passividade e indefinição de rumos, dado que poucas vezes tivemos tanta clareza sobre o papel da interação entre as variáveis econômicas e as políticas.

Já 2016 começa, portanto, com o grande desafio de viabilizar a identificação de algum rumo, tanto no âmbito político como no econômico. Ao mesmo tempo, é clara a percepção de que tanto um quanto outro só poderão existir se houver credibilidade. Esta parece ser a palavra-chave dos próximos meses.

É preciso construir a credibilidade das propostas de políticas, de modo a que seja possível construir apoio às medidas necessárias, e que dependem de aprovação pelos parlamentares. É preciso recuperar a credibilidade da atuação da autoridade monetária, fortemente criticada aqui e no exterior por seus movimentos recentes. Isso inclui a credibilidade e transparência de sua relação com o Tesouro Nacional. É preciso preservar a credibilidade dos encarregados de investigar e punir os envolvidos com atos de corrupção, e que têm sido objeto de fortes críticas, por parte de autoridades em outros Poderes. É preciso, por fim, recuperar a credibilidade do país no cenário internacional, fortemente abalada não apenas pelo noticiário recente com casos de corrupção, mas também pelas opções equivocadas de inserção internacional, que têm levado o país a perder oportunidades de acesso aos principais mercados do planeta.

Tudo indica que ao longo deste ano conviveremos de forma intensa com a busca de comportamentos e de trajetória que sejam críveis, algo que há alguns anos parecia assegurado.

*Artigo escrito por: Renato Baumann, autor do livro Economia Internacional, publicado pela editora Elsevier

Imagem: google